Thursday, May 19, 2011
(30.04.2011)
dos teus ossos culpados
mastigados,
que adivinhassem aquele raspar
na porta,
de todos os anjos caídos.)
Monday, April 25, 2011
negros de ébanos e de lua nova.
Na água, o reflexo-sombra da sereia
e o sal da sua pele no vento.
Tuesday, April 12, 2011
Tuesday, March 15, 2011
pequeno update/rant (censored)
(Isto não era para ser um post destes. Juro. Só vinha colocar um link o.O
Tropecei nisto hoje, e é um vício, não consegui parar de ler. )
Friday, February 11, 2011
porque já não sei escrever poemas
e andamos todos de cabeça para baixo.)
Não percebo nada desta coisa de se ser pessoa.
E acho que nunca hei-de perceber!
Monday, January 31, 2011
30.01.2011 (surreal)
Via desenhos na espuma e o robot disfarçado de torneira.
Uma noite, pediu ao rapaz pássaros de papel. Na noite seguinte, quando chegou a casa, descobriu os pássaros suspensos por fios finos de linha branca, colados por todo o tecto.
Pequenas velas acesas espalhadas por toda a casa.
E um rapaz feito de papel de jornal sentado no sofá.
Monday, January 24, 2011
Friday, December 31, 2010
a rapariga das unhas vermelhas, parte I (comentários/críticas/sugestões sumamente APRECIADOS)
Todos os dias, depois de chegar do trabalho, a rapariga das unhas vermelhas descalçava-se e punha-se à janela, a sonhar.
Tinha cabelo castanho-claro, pelos ombros, e pele branca e macia. Mas as suas unhas estavam pintadas de vermelho, e de um vermelho bem vivo e bem brilhante – daqueles tons de vermelho que lembram a cor das cerejas maduras e das maçãs dos contos de fada e de rebuçados de morango perdidos algures no tempo.
A rapariga das unhas vermelhas morava num primeiro andar com direito a uma minúscula e preciosa varanda. Aproveitando o passar dos anos, uma trepadeira escalara o seu caminho até à varanda, entrelaçando-se sorrateiramente pelos ferros gastos pela chuva, acabando por criar uma espécie de moldura natural que muito atraía as borboletas, os pássaros e outras pequenas criaturas nocturnas.
No Verão, a rapariga de unhas cor de bagos de romã conseguia até apanhar o perfume da dama-da-noite que uma vizinha tinha no seu quintal; no Outono, gostava de ver as folhas secas que costumavam descer, por vezes, leve e subtilmente, outras, meio entontecidas pelo vento, da sua varanda; e no Inverno, por breves instantes, abria as portadas para apanhar o cheiro a chuva que salpicava toda a cidade e respirar.
Todos os dias, depois de chegar do trabalho, a rapariga das unhas vermelhas punha-se à janela, a sonhar (por vezes, até sorria um pouco), e a noite fechava-se sobre si.
De que seriam os seus sonhos feitos, até hoje ninguém sabe, só se lhe poderiam adivinhar. Mas seriam sonhos entretecidos pelas mãos da saudade, com certeza.
[continua]
Friday, December 24, 2010
Sunday, December 05, 2010
notebook.#2 (tattoo.project : the fallen)
Saturday, November 13, 2010
http://chocolatesinquietos.blogspot.com/
Wednesday, November 10, 2010
a caixa de música
E, todas as noites, ele ia para perto da única janela que tinha…
Não, não a única janela que tinha.
… Ele ia para perto da única janela por onde a luz de prata da lua se atrevia a entrar às escondidas, e dava corda ao pequeno mecanismo.
E, todas as noites, uma bailarina de asas negras dançava na sua mente, a pele dela tão branca como alabastro e os olhos tão verdes quanto folhas tecidas a partir de esmeraldas, e o cabelo liso, cor de ébano.
E tudo ficava silêncio, quietude, senão a música. As sombras moviam-se mais devagar dentro do quarto. Os livros já não queriam ser lidos. E até os relógios da condenação hesitavam na sua marcha de heresia. Para escutar, ler, a história que ele trazia dentro de si. E a história dele…
A história dele tinha tapetes imensos de neve / era atapetada por mantos imensos de neve beijados por pegadas de seres desconhecidos e castelos sombrios, majestosos, cheios de mistérios e de passagens secretas, depositados em encostas e florestas cobertas dessa mesma neve.
E a história dele tinha frio mas o cheiro a pele aquecida pelo sol e pela terra era o seu.
E lobos de grandes olhos castanhos e tristes vadiavam, na sua história, em liberdade, com vozes em ecos de solidão.
E sereias esquecidas velavam, doces, o sono dos adormecidos, de lábios pálidos e garras compridas no lugar das unhas, para arranhar a alma de quem o merecesse.
E a estátua, as estátuas, habitavam também a frialdade da sua história. Estátuas de formas humanas e de gestos suspensos, algumas caídas em abismos, por distracção ou por desgraça, e cidades inteiras repletas delas.
Algumas até asas tinham. Outras, as haviam possuído, outrora, cacos e ruínas agora, desfeitas e estaladas e tolhidas e quebradas, inertes e descuidadamente espalhadas pelo chão.
E na história dele, diz-se, estrelas sorriam e faziam caretas, mas somente quando lhes apetecia ou quando se sentiam mesmo muito ensonadas.
E a bailarina, de olhos verdes como esmeraldas e pele branca de alabastro e cabelos de ébano, dançando ao som da pequena caixa de música, não tocava no chão, como um fantasma, apesar de já ter ouvido aquela história centenas de vezes.
Assim eram as noites, feitas de saudade e de frio e de lábios negros por beijar.
Até que, um dia, diz-se, (da sua mente) ele se esqueceu de voltar.
Repousa, jaz, diz-se, também ele, numa dessas cidades, tão suas, de criaturas petrificadas, suspensas.
E a bailarina não mais habita na sua memória mas, sim, num qualquer canto do seu esquecido e velho coração.
Para sempre.
Ao som de uma melodia de caixa beijada por luares de prata e de memórias faminta.
Friday, October 29, 2010
notebook.#1 - um desenho por semana (ou algo assim)
. De vez em quando, gosto de rabiscar; e o gosto por aqueles caderninhos pequenos, que cabem dentro de um bolso, e' recente, mas já me deixou com comichão para o fazer mais frequentemente, e em qualquer lugar. Assim que, para combater a falta de actualizações neste blog, surge este pequeno hábito de postar, pelo menos uma vez por semana, um desenho. ^^Saturday, October 23, 2010
(roxo :: pequena história por acabar) continuação
Mas o gato não lhe soube responder.
Jules estava, nesse preciso momento, a despedaçar um ramo de rosas púrpura. Há muito que se esquecera de como voltar para casa. Caminhava ao acaso pelas ruas da pequena cidade. A noite caía, trazendo tons violeta e laranja-dourados, ao mesmo tempo que um azul muito escuro era arrastado atrás de si, cobrindo tudo de modo quase imperceptível.
O seu cérebro, confuso, tentava desesperadamente recordar algo, mas esse algo escapava-se-lhe de cada vez que o quase conseguia apanhar.
Levantou-se do banco de jardim onde estivera uns minutos a descansar e encaminhou-se para sítio algum, um rasto de pétalas deixado atrás de si.
“Não vás”, pediu o gato, silencioso e preocupado.
“Tenho de ir, Baguera.” Dasha acariciou as orelhas do gato preto de cauda cortada e vestiu um dos seus casacos preferidos. “Até já”, soprou.
“E se a criança acordar?”, perguntou o pequeno bicho prateado de asas mecânicas. Pousara em cima do ombro de Dasha e esta transferiu-o com cuidado para a ponta dos seus dedos, de modo a olhá-lo de frente.
“Chamas-me. Pedes a alguém que me vá procurar.” Fez uma pausa, pensativa, e acrescentou: “E não a deixas sair desta sala.”
“Dasha… Dasha? Quem e´ Dasha?”, perguntava Jules ao estranho (um estranho que, curiosamente, lhe parecia deveras familiar) que a abordara, indagando pela rapariga. Tinha cabelo negro, era muito alto, de rosto belo, e brincava com uma cartola.
“A Dasha! Preciso falar com ela. Maldita demon…”
O estranho observava Jules, os olhos muito sérios dando lugar a uma expressão alarmada. Ele parou de brincar com a cartola e agarrou-a pelo braço, não sem alguma força, como se a quisesse trazer, somente com o seu toque, de volta `a realidade.
“Jules… Que te aconteceu? Porque não te lembras de Dasha?” A voz traía apreensão.
O nome de Dasha soava a Jules estranho mas próximo ao mesmo tempo.
“E de mim, lembras-te? Sabes quem sou?”
Vinho. Tinto. E três criaturas sob as estrelas, de mãos dadas. Duas raparigas e um rapaz. Um rapaz alto, de cabelo negro e um rosto bonito. Três lábios manchados de carmim. Rindo, falando, chorando, abraçando. Os três tão frágeis e, contudo, os três possuidores de uma força irresistível. Que atrai e repele de modo perigoso.
“Elai. Eu sou o Elai. O contador de histórias. Jules! O que quer que te tenham feito, volta! Combate, raios!”
Ele abraçou-a. Mas ela, mesmo assim, não se conseguiu lembrar.
“Vem comigo”, disse ele, pegando-lhe pelo pulso. E Jules deixou-se levar.
Entretanto, na pequena sala, a criança estava prestes a acordar. As asas mecânicas do estranho bicho prateado batiam muito perto, vigiando o seu sono. O gato subira para cima de uma pequena mesa redonda cheia de livros e dormitava, abrindo um olho de quando em quando, também de vigília `a criança deitada no sofá, após ter inspeccionado e tratado minuciosamente da limpeza das suas patas durante uns bons 15 minutos.
Dasha caminhava em passo rápido através do minúsculo bosque que separava o seu refúgio da pequena cidade. Normalmente, prestaria atenção aos sons que habitavam o bosque, deliciando-se com a dança das folhas nos ramos das árvores, as melodias de pássaros ocultos, o restolhar das folhas secas que pisava, as cores vibrantes e os cheiros a madeira e terra. Porém, desta vez, não havia tempo para tal.
Fez todo o caminho, questionando-se sobre onde Jules poderia estar e o que lhe poderia ter acontecido para nem sequer se ter lembrado de que tinha o esparregado ao lume…
Tuesday, October 19, 2010
aquele cão preto
Naquela praça antiga, havia uma árvore de tronco negro cor de fuligem em noite escura. A sua textura era macia, e um assombro para alguém que a tocasse.
Quer de noite quer de dia, as sombras nela habitavam, por vezes de olhos vermelhos. Das pedras da calçada emergiam as raízes, também essas de tom obscuro, que serpenteavam, despenteadas, em qualquer direcção que lhes apetecesse, levantando o chão.
Aquela árvore, dizia-se, transformava-se num enorme cão preto em noites de lua nova; espreguiçando-se, alongava-se pelas paredes e pelos becos mais esconsos e sombrios, fazendo com que os habitantes daquele lugar se esquecessem do que iam fazer à rua, momentos antes, em quase estranho encantamento.
Naquelas noites, o cão negro vadiava, liberto.
Mas não havia qualquer motivo para se sentir receio.
Era a árvore, desentorpecendo as patas.
Tuesday, September 28, 2010
Thursday, August 12, 2010
(avô)
Mas eu aprendi a pescar, avô... Aprendi a pescar estrelas.
A perder-me horas infinitas no céu, a desenhar-lhe as formas. A amar-lhe os tons.
Gostava que me tivesses visto, avô, quando sorria para ti. Já depois de todas as máscaras e películas de pele retiradas. Éramos, fomos, cúmplices, avô, e eu nunca to disse. Nunca to disse...
E agora, que já é tão tarde, tão dolorosamente tarde... Pesco estrelas com o olhar, todas as noites, só para ti. Apanho-as cuidadosamente, de dedos trémulos e queimados junto ao coração, dou-lhes um beijo ao de leve e guardo-as dentro do bolso.
Elas estão cheias de pó e de teias de aranha porque a maior parte de nós já se esqueceu de como sonhar. De se perder por entre os farrapos de nuvens e de apanhar asas de pássaros cadentes.
Segredo-lhes então, «um livro, avô. só para ti.» Mas será mais um livro que nunca irás ler.
É o que te prometo, avô, somente isto, fraca promessa é, tão terrivelmente mendiga, tão carregada de culpa e de saudade, tão coberta de insónia. escrita de mãos dadas com as estrelas e o céu.
Wednesday, June 16, 2010
sejam elas doces ou não.
Tuesday, June 01, 2010
Dás-me beijos na alma
e eu, que não te minto,
que não me vendo, a troco de ternura explícita,
de carinho algum,
não os compreendo.
A noite é uma faca de lâmina bem afiada
encostada ao que não sou.
Anjos protegem-me, e as suas asas não devem ser de pedra,
porque, por tantas vezes, já me salvaram de me aniquilar,
já impediram dedos degradados de me agarrar
(na pele,
um leve arranhão apenas.)
Na minha superfície de mármore,
o ébano reluz
em espirais de papel amachucado.
Sinistras, estas vozes que agora se ouvem
restolhar pelo coração da noite;
dir-se-iam de feitiço ou de conjuro.
Conjuro blasfemo, sim, decerto,
encantamento de rosto perfeito pálido,
brando sorriso e punição.
... tudo me dói sem eu querer.
(20/05/2010)
the White Riddler
Segue pela azinhaga das Três Irmãs Bruxas, e não hesites.
Sinos tocarão, invisíveis.
Ela estará à tua espera na encruzilhada.
Reconhecê-la-ás pelo vestido branco até aos tornozelos, simples e de alças, o cabelo negro longo, ondulado e flutuante; de pés descalços e uma pulseira de prata no tornozelo direito, as unhas das mãos pintadas de preto; pestanas longas, pele morena. E um ar enigmático na face.
the White Riddler
Não lhe faças perguntas, ela não tas responderá.
Somente levará um dedo indicador aos lábios, pedindo segredo, e estenderá o braço e dar-te-á a mão, os dedos bem enlaçados nos teus para que a sigas…






